Conhecimento Prudente

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Posts tagged with "socimag"

Numa sala de cinema lotada de motoqueiros “Hell’s Angels”, o que você faria?*

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Por Jay Livingston

Postagem cruzada no Montclair SocioBlog.

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Este anúncio ilustra algumas idéias sociológicas, algo que posso usar em sala de aula. Não sei como. (Você já deve ter visto. Tem circulado na internet há alguns meses.)

Sim, é um comercial de cerveja, não é um documentário, nem “realidade”. Mas os casais envolvidos são reais e pegos de surpresa na situação _ como as vítimas de uma pegadinha ou de uma câmera escondida (ou sujeitos em algum experimento social).

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Um olhar equilibrado sobre a ‘mutilação’ genital feminina entre as africanas

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Por Lisa Wade, PhD, 11/12/2012

Embora eu seja mais conhecida por minhas pesquisas com a cultura da ‘pegação’ na universidade, eu tenho escrito muitos artigos sobre um tópico totalmente distinto: como os americanos falam sobre práticas de corte genital feminino (FGCs), mais conhecidas como ‘mutilação’ genital feminina. Ainda que praticamente todos os americanos se oponham a FGCs, nossa compreensão desta prática é, de fato, enviesada por desinformação, etnocentrismo e uma história que retrata a África como ingenuamente ‘atrasada’ ou cruelmente ‘bárbara’.

A principal fonte de distorção tem sido a mídia. Buscando encorajar jornalistas a pensarem duas vezes quando cobrirem este assunto, o Hastings Center lançou um relatório publicado pela Rede Consultiva de Políticas Públicas sobre Cirurgias Genitais Femininas, da África. Ao longo deste post eu discutirei brevemente algumas das coisas que eles querem que os jornalistas _ e todos nós _ saibam bem como farei alguns comentários.  

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A economia perversa do tratamento e prevenção de doenças

pelo blogueiro convidado Dan Rose, 16 horas atrás às 12h50.

Esta fotografia foi tirada nos arredores do Love Canal em Niagara Falls, New York, onde  a Hooker Chemical (hoje Occidental Petroleum Corporation) enterrou 21 mil toneladas de lixo tóxico: Em 1953, Hooker Chemical vendeu o terreno que eles tinham usado como lixão para o Conselho Escolar de Niagara Falls por 1 dólar. 

O título de posse do terreno continha avisos sobre o lixo e isenção de responsabilidades. Entretanto, as autoridades construíram escolas e lares no solo contaminado para acomodar a crescente população da cidade no pós-guerra. No final da década de 1970, os moradores relataram uma variedade de doenças e defeitos  genéticos. 

Os cientistas constataram altos níveis de substâncias carcinogênicas no solo, água e ar. A comunidade se organizou para chamar atenção para o problema e o presidente Carter decretou emergência sanitária federal na área.

Elizabeth Blum, professora de história na Troy University, escreve sobre o ativismo ambiental dos moradores de Love Canal. Tal ativismo, denominado  ’epidemiologia popular’ tenta ligar problemas em questões localizadas em saúde a suas origens. 

A despeito da militância dos moradores, a mídia tende a mostrar pouco interesse pelas causas do câncer e maior interesse pela busca de uma cura. 

As muitas campanhas contra o câncer, por exemplo, convocam pessoas  para doarem dinheiro (ou usar seu cartão de crédito para compras) para ajudar a financiar o desenvolvimento dos tratamentos de câncer: Quando a atenção da mídia é focalizada nas causas do câncer, esta assume um tom individualista. Fatores de risco (fumo, dieta pobre etc.) são responsáveis por várias formas de câncer.

A regra é: Nenhuma verba para a prevenção.

A midia convencional tem todo interesse em não expor as causas do câncer. As empresas que pagam para anunciar em seus canais e frequentemente suas matrizes e subsidiárias traficam substâncias carcinogênicas. A indústria farmacêutica, da mesma forma, tem um incentivo perverso. Pessoas saudáveis não dão dinheiro, nem mortas. Mas doentes são uma mina de ouro. Muitas organizações, incluindo a multimilionária Susan G. Komen Foundation, estão no negócio de angariar fundos para a cura, e menos para a prevenção. 

A política do câncer, então sofre do caráter individualista dos imperativos capitalistas e modernos americanos,mantendo invisíveis as causas do câncer epidêmico, e o comportamento ilegal e antiético de empresas como a Hooker Chemical.

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Dan Rose é professor assistente de Sociologia no Chattanooga State Community College no Tennessee. Sua pesquisa se concentra na sociologia médica e nas iniquidades em saúde em vizinhanças pobres.

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Sociological Images mantém uma parceria com o blog Conhecimento Prudente. Imagens Sociológicas: Ver para crer foi criado para encorajar todas as pessoas a exercitarem e desenvolverem sua imaginação sociológica através da apresentação de breves discussões sobre imagens sedutoras e atuais a partir de reflexões geradas no vasto campo da pesquisa sociológica. É também poderoso instrumento de interpretação de mensagens da mídia.

Fuga das galinhas? Transparência seletiva em campanha publicitária de granjas

por Gwen Sharp, dois dias atrás, 12h30 

Philippa chamou nossa atenção para uma recente campanha publicitária do Egg Farmers of Ontario, uma organização que promove a indústria dos ovos em Ontário. A campanha, intitulada “Quem produziu seus ovos hoje?” dirige o olhar do consumidor para as famílias envolvidas na produção de ovos canadenses. As imagens e vídeos se concentram em imagens idealizadas de granjas familiares, enfatizando a tradição, a comunhão familiar e o apego destas famílias à terra:

Mas, como Philippa observou, algo está evidentemente ausente aqui: as galinhas.

Há algumas menções esporádicas a elas _ o quanto de prazer que os granjeiros desfrutam trabalhando com elas, quão surpreendente é o fato de produzirem um ovo praticamente a cada dia, o que elas comem, e assim por diante _ mas não se vê uma única galinhas em todos os vídeos listados na página das granjas familiares.  

A campanha publicitária parece oferecer transparência sobre a produção de alimentos; nós somos convidados a entrar nas vidas de granjeiros reais em Ontário, e escutamos eles falarem sobre suas vidas e sobre todo o processo que faz os ovos chegarem ao consumidor.

E, para aqueles preocupados em conhecer as condições de produção de alimentos, este é um passo importante, na medida em que a maioria dos consumidores tem pouco ou nenhum contato direto com fazendas ou com a vida de pessoas que produzem alimentos.

Apelar para o mercado dos fazendeiros, à agricultura comunitária e outras formas alternativas de distribuição de alimentos não tem a ver apenas com a idéia de se obter uma produção ambientalmente sustentável, mas também com estabelecer relações com um produtor específico, e frequentemente com um desejo de apoiar pequenos produtores. 

Mas a mirada na cadeia de suprimentos de ovos oferecida aqui é seletiva. O que se evita nos vídeos é qualquer discussão sobre como as galinhas são tratadas. Nós quase nunca somos convidados a entrar nas granjas e ver como as galinhas estão acomodadas, não sabemos se a iluminação artificial e outras técnicas são usadas para aumentar a produção de ovos a partir da geração de estresse nas galinhas; enfim, nós desconhecemos tudos sobre as mesmas.  

Nós entramos na história quando os ovos foram retirados da granja; nós vemos belos ovos movendo-se ao longo de esteiras mecanizadas ou sendo acondicionados cuidadosamente, à mão, em suas embalagens; nossa atenção como consumidores é direcionada para as pessoas que tocam a fazenda e afastada de discussões sobre direitos dos animais ou sustentabilidade. Como Philippa diz, “ao dar um rosto aos granjeiros, a campanha na realidade afasta o público do produto que estão promovendo”. 

Confira nosso post sobre a arte de Nathan Meltz que evidencia a produção contemporânea de alimentos, incluindo seu vídeo sobre o golpe do frango.  

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Sociological Images mantém uma parceria com o blog Conhecimento PrudenteImagens Sociológicas: Ver para crer foi criado para encorajar todas as pessoas a exercitarem e desenvolverem sua imaginação sociológica através da apresentação de breves discussões sobre imagens sedutoras e atuais a partir de reflexões geradas no vasto campo da pesquisa sociológica. É também poderoso instrumento de interpretação de mensagens da mídia.

Anúncio de serviço público da Pensilvânia culpa vítimas pelo estupro

Por Caroline Heldman

Os números referentes a denúncias de estupro, acusação e condenação nos EUA são incrivelmente baixos, mas é mais fácil escapar de uma acusação de agressão sexual em alguns estados do que em outros. A Pensilvânia é um destes lugares. Lá, o testemunho de peritos não é permitido no tribunal. Assim, os jurados frequentemente se baseiam em mitos abundantes e danosos acerca do estupro para fundamentarem seus vereditos. 

Sendo assim, não deveríamos nos surpreender quando o Pennsylvania Liquor Control Board (PLCB) veiculou um anúncio que promovia abertamente a idéia de que as mulheres são culpadas por serem estupradas. 

O anúncio mostra uma mulher jovem caída no que parece ser o assoalho de um banheiro, com a calcinha abaixada e com os seguintes dizeres: “Ela não queria fazer isso, mas não podia dizer não”. A condenação da vítima aqui não poderia ser mais evidente, a despeito da linguagem ilógica que tanto  sugere que a vítima possuía agência (ela é culpada) e não a tinha (porque não podia dizer ‘não’).

Criado pelo Neiman Group, este anúncio foi parte de uma campanha para elevar a consciência dos efeitos danosos do consumo de álcool. Muitos outros temas foram propostos na campanha, mas este sem dúvida foi o ‘campeão’. Outra peça da mesma campanha sustenta que o amigo da vítima teria sido responsável pelo seu estupro. 

O PLCB suspendeu a campanha em resposta a centenas de mensagens de cidadãos preocupados, alguns dos quais alegavam terem ficado traumatizados pela imagem/mensagem. No entanto, um comunicado do PLCB revela que os responsáveis pela campanha ainda não compreenderam a extensão do problema:  

"Nós tínhamos a convicção (e ainda temos), quando iniciamos a discussão sobre realizar uma campanha como esta, de que era importante trazer à luz do dia as idéias mais desconfortáveis sobre o consumo excessivo de álcool, bem como sobre aqueles perigos a ele relacionados _ o estupro por um conhecido (date rape) sendo apenas um deles".  

O PLCB tem razão ao associar álcool e ‘date’ rape (uma expressão que banaliza o estupro), mas não porque as mulheres sejam responsáveis pelas ações criminosas dos cerca de 6% de homens que praticam este crime. Na verdade, os agressores exploram narrativas culturais _ como a idéia de que intoxicação pela bebida é equivalente à má comunicação e que estupro por um conhecido não é estupro de verdade _ para recorrentemente cometer este crime. Em um recente estudo com universitários, verificou-se que 4% dos homens eram estupradores contumazes; cada um deles cometendo uma média de 5,8 agressões sexuais. 

Resumindo, a agressão sexual é cometida por agressores (frequentemente contumazes). No entanto, campanhas publicitárias como estas continuarão a nos assegurar que a agressão sexual continuará a ser o único crime em que a sociedade trata a vítima como culpada pela agressão sofrida.

Nota da Redação: Este post aqui está sendo reproduzido pela oportunidade ensejada pelo suposto caso de estupro de vulnerável ocorrido no Big Brother Brasil 12. O caso BBB 12 nos alerta para uma prática criminosa, mas socialmente tolerada, que é a do date rape (estupro por conhecido) facilitado pelo uso de drogas ou álcool. Tipificar o date rape como crime costuma ser complicado devido a diferenças conceituais sobre o que constitui estupro.  

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Sociological Images mantém uma parceria com o blog Conhecimento Prudente. Imagens Sociológicas: Ver para crer foi concebido para encorajar todas as pessoas a exercitarem e desenvolverem sua imaginação sociológica através da apresentação de breves discussões sociológicas sobre imagens sedutoras e atuais a partir de reflexões geradas no vasto campo da pesquisa sociológica. É também poderoso instrumento de interpretação de mensagens da mídia.

(Fonte: thesocietypages.org)

'Fotoshop by Adobé': uma paródia dos anúncios de produtos de beleza

Por Gwen Sharp

Muitos leitores foram surpreendidos com esta nova paródia em vídeo, “Fotoshop by Adobé”, que tem feito sua trajetória na internet. Criado pelo cineasta Jesse Rosten, o vídeo faz uma paródia dos comerciais de beleza que lançam mão das inseguranças femininas e as encorajam, prometendo às mulheres transformações mágicas que irão permiti-las alcançar padrões de beleza inteiramente irreais, da noite para o dia, devido a processos e ingredientes revolucionários (“pro-pixel intensifying fauxtanical hydro-jargon microbead extract”). Divirta-se!

Fotoshop by Adobé from Jesse Rosten on Vimeo.

Agradecimentos a Jessica B., Kate A., Rex S., Emma M.H., Jessica W., finefin, Bernardo, Robin D., Priyanka Mathew (que postou no Culture+Marketing+Politics), runbotrun, Dmitriy T.M., muitas modelos, Tom Megginson, e a meu colega Pete La Chapelle por enviá-la!

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(Fonte: thesocietypages.org)

'Conhecimento prudente' celebra duas parcerias importantes

photo by rthakrar 

Com menos de três meses de existência, nosso blog Conhecimento Prudente acaba de firmar duas parcerias de destaque.

A partir da semana que vem, Conhecimento Prudente abrigará em suas páginas o melhor do pensamento contemporâneo sobre a biopolítica contemporânea, através da tradução para o português de posts selecionados do blog Biopolitical Times

Mas as novidades não param por aí. Na próxima semana também estaremos presenteando nossos leitores com um novo olhar (sociológico e crítico) sobre as imagens midiáticas que povoam nosso dia-a-dia. É que também começaremos a publicar posts do incrível projeto Sociological Images: Seeing is Believing

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