Testes clínicos fase 1: quando a esperança pode matar
Em 2009, defendi tese de doutorado na UFRJ sustentando que “regimes de verdade” (característicos da ciência) associados a “regimes de esperança” (característicos do senso comum), quando veiculados na mídia, criavam uma retórica potente, inabalável, que, na melhor das hipóteses alavancava grandemente a provisão de verbas para pesquisa (em muitos casos de resultado notoriamente duvidoso) e, na pior, matava pacientes que, na prática, serviriam como ‘cobaias humanas’ de procedimentos duvidosos e dos quais tinham pouca informação.
Agora, a agência Reuters (9/2) dá conta de estudo publicado na prestigiosa revista científica ‘Cancer’, tratando da mesma temática por mim prefigurada em 2009.
É necessário que jornalistas científicos tenham noção dos dilemas éticos que enfrentam ao divulgar achados de tecnologias emergentes e ainda incipientes. E que não tenham cientistas-celebridade na conta de ‘amiguinhos’. Agradar (a quem quer que seja) não é função primária do Jornalismo (científico).
Reproduzo abaixo a matéria distribuída pela agência Reuters Health.


