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Se o aborto pode, por que não o infanticídio?

photo by tread 

Esta é a tese veiculada por dois bioeticistas utilitaristas italianos na última edição da prestigiosa Journal of Ethical Medics . 

Alberto Giublini e Francesca Minerva (sugestivo sobrenome) sustentam que o feto e o neonato são apenas pessoas potenciais sem quaisquer interesses. Entretanto os interesses das pessoas envolvidas com elas são fundamentais até algum tempo indefinido após o nascimento. Para enfatizar a ligação entre ambos os fatos eles cunharam o termo aborto pós-nascimento, um elegante eufemismo para … infanticídio. 

Embora pareça assustadora a proposta, os autores sustentam sua suposta leveza de xampu Johnsson, aquele que não arde nos olhos: “Afirmamos que matar uma recém-nascido pode ser eticamente permissível nas circunstâncias onde o aborto o seria. Tais circunstâncias incluem casos onde o neonato tem ao menos o potencial de desfrutar de uma vida aceitável, mas onde o bem-estar da familía está em risco”. 

Outro desdobramento do argumento fica então evidente. Matar uma criança por esta lógica também não seria eutanásia. Pois, nele o médico estaria buscando o melhor interesse da pessoa que morre. Mas no aborto pós-parto são os interesses dos envolvidos que importam e não o do bebê. 

Para quem sempre conserva um olho na missa e outro no padre, o argumento dos autores é claro. Eles buscam estender a lógica do aborto ao infanticídio:

"Se critérios tais como o custo (econômico, psicológico e social) dos potenciais pais são justificáveis o suficiente para se realizar um aborto mesmo quando o feto é saudável, se o status moral do recém-nascido é o mesmo que o da criança e se nenhum dos dois têm qualquer valor em virtude de ser apenas uma pessoa em potencial, as mesmas razões que justificariam o aborto devem justificar a eliminação da potencial pessoa no estágio de neonato". 

Se a proposta enrubesce os mais pudicos, cumpre ressaltar que de algum modo ela foi abertamente defendida quando da discussão, em 2008, pelo STF, do estatuto moral do embrião. Alguns cientistas brasileiros na ocasião sustentaram que vida pressupunha a noção de projeto. E se não havia um projeto para aquele ser, não era vida.  

Mais e mais maravilhas nos aguardam na biomedicina sem peias, modernosa, irrefreável, inovadora, promissora, sensacional, que lhe empurram goela abaixo na república da banana transgênica. Só aguardar. 

Avante, Sucupira !!!!!!

Fonte: Bioedge