Cinco mitos persistentes que os cientistas conservam sobre ciência, mídia e público

Todos conhecem aquela Grande Narrativa sobre a Ciência que dá conta de que ela foi criada no Ocidente para afastar os mitos e as superstições de nosso campo de decisões. Na realidade, a Ciência é tida como a mais nobre forma de racionalidade possível no Ocidente.
No entanto, quando o assunto é a compreensão pública da ciência, os cientistas são os primeiros a se ancorarem em mitos e superstições, afastando de si os achados sobre o tema que as Ciências Sociais Interpretativas a cada dia trazem à luz.
Not in my backyard (NYMB) [não no meu quintal], parecem dizer os cientistas quando se propõe a eles que ousem colocar a ciência que praticam ao microscópio. É quase como “falar de corda em casa de enforcado”. Aqui, vale o antigo ditado: “Casa de ferreiro, espeto de pau”, ou “Ciência nos olhos dos outros é refresco”.
Pois agora, Matthew Nisbet e Dietram Scheufele, estudiosos respeitados destas relações entre ciência e mídia, acabam de publicar na revista The Scientist, os cinco mitos mais persistentes entre os cientistas sobre as relações entre ciência, mídia e público.
Vamos a eles? Reproduzimos abaixo trecho do artigo de ambos.
1. Os americanos não confiam mais nos cientistas. Cientistas respeitados advertem que temos ingressado em uma nova ‘idade das trevas’, onde o público não mais confia na expertise científica. Mas ainda que seja verdade que muitas instituições individualmente tenham despencado em termos de confiança pública nas últimas décadas, a confiança na comunidade científica tem permanecido relativamente estável, e bem acima dos níveis de confiança de políticos, jornalistas e executivos, de acordo com dados compilados pela National Science Foundation.
No entanto, segundo um outro estudo, a confiança na comunidade científica tem caído entre os conservadores, no que o seu autor classificou como uma ‘guerra contra a ciência’ conservadora. Mas as possíveis causas deste declínio estão abertas a variadas interpretações. Reduzir tal fenômeno a uma única narrativa só prejudica os esforços para entender plenamente estas complexas tendências.












