Conhecimento Prudente

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Células-tronco e a esperança da pandorina

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Isabelle Stengers, professora de filosofia da Universidade Livre de Bruxelas, nos revela em seu livro A invenção das ciências modernas, citando Bruno Latour, a receita de como fazer existir o que o laboratório cria, para um máximo de interessados.
Para isso, Stengers usa a pandorina, um fictício hormônio secretado pelo cérebro, que acaba de ser identificado por um laboratório, e relata uma semana na vida do chefe deste laboratório.

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A ignorância científica sobre tecnologias emergentes, no olhar de um cientista

  • Grove White (GW) — Você acredita que as pessoas têm razão em se preocupar com possiveis aspectos que sequer se sabe que são desconhecidos (unknown unknowns) acerca de transgênicos?
  • Cientista— Que aspectos desconhecidos?
  • GW — Esta é precisamente a questão. Não podemos especificá-los a priori. Podem ser surpresas surgindo de efeitos sinérgicos imprevistos, ou de intervenções sociais não-antecipadas (...)
  • Cientista— Eu receio que seja impossível lhe responder, a menos que você me dê uma clara indicação dos aspectos desconhecidos de que está falando.
  • GW— Neste caso, não acredita que deveria acrescentar advertências a respeito da saúde aos conselhos que está dando aos ministros, indicando que existem aspectos que sequer sabemos que são desconhecidos, os quais você não pode avaliar?
  • Cientista — Não, como cientistas, temos de ser específicos. Não podemos proceder com base em elucubrações de uma mente febril (WYNNE, 2002a, p. 469).

Fraude monumental de psicólogo holandês revela vulnerabilidades do método científico

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A credibilidade do campo da psicologia social está seriamente abalada, segundo uma comissão holandesa que constatou conduta condenável de um pesquisador que publicou dezenas de artigos baseados em dados fraudulentos durante 15 anos, em três universidades.

Diederik Stapel era um psicólogo com uma vasta lista de publicações e uma carreira fulgurante. Tinha um faro especial por tópicos de pesquisa midiáticos, do tipo “pessoas que ingerem carne são mais egoístas que os vegetarianos”, por exemplo. Mas, em 2011, informantes alertaram autoridades da Universidade Tilburg sobre irregularidades em seus artigos publicados. Sua reputação foi rapidamente abalada. Stapel admitiu que tinha falsificado seus dados e resultados de pesquisa e devolveu seu título de doutorado. 

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Quanto mais independentes são a mídia e a ciência, mais fortes são seus vínculos

-  Peter Weingart

Esperanças calibradas

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Os leitores de nosso blog sabem o quanto sou cético com relação a afirmações de cientistas na mídia acerca de promessas terapêuticas das células-tronco que induzem pacientes e familiares a falsas esperanças. 

No entanto, este artigo do pesquisador Allyson Muotri (à direita na foto, com Marcelo Yuka, ex-Rappa), publicado recentemente no portal G1 chamou-me a atenção. Isto porque sua dicção é mais realista do que o habitual, em se tratando de cientistas na mídia. 

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Relatório informa que agência californiana de pesquisa de células tronco precisa ser reorganizada

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por Alicia Chang, Associated Press, Washington Post

Publicado originalmente em 6 de dezembro de 2012

LOS ANGELES — A Califórnia transformou-se em um player importante na pesquisa com células-tronco, mas o instituto financiado pelo contribuinte e por ela responsável apresenta “deficiências significativas” no que se refere à distribuição das verbas para pesquisa, afirmaram os especialistas nesta quinta-feira.

Um relatório do Institute of Medicine (IOM) verificou que muitos membros do Conselho Administrativo do Instituto Californiano de Medicina Regenerativa (CIRM) representavam faculdades que ganhavam os financiamentos e recomendavam que se evitasse a impressão de conflito de interesses. 

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(Fonte: geneticsandsociety.org)

Um olhar equilibrado sobre a ‘mutilação’ genital feminina entre as africanas

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Por Lisa Wade, PhD, 11/12/2012

Embora eu seja mais conhecida por minhas pesquisas com a cultura da ‘pegação’ na universidade, eu tenho escrito muitos artigos sobre um tópico totalmente distinto: como os americanos falam sobre práticas de corte genital feminino (FGCs), mais conhecidas como ‘mutilação’ genital feminina. Ainda que praticamente todos os americanos se oponham a FGCs, nossa compreensão desta prática é, de fato, enviesada por desinformação, etnocentrismo e uma história que retrata a África como ingenuamente ‘atrasada’ ou cruelmente ‘bárbara’.

A principal fonte de distorção tem sido a mídia. Buscando encorajar jornalistas a pensarem duas vezes quando cobrirem este assunto, o Hastings Center lançou um relatório publicado pela Rede Consultiva de Políticas Públicas sobre Cirurgias Genitais Femininas, da África. Ao longo deste post eu discutirei brevemente algumas das coisas que eles querem que os jornalistas _ e todos nós _ saibam bem como farei alguns comentários.  

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Quem coloca a mão na massa sabe quais são as limitações. Às vezes, você realmente tem de ‘vender o peixe’ quando precisa de financiamento. Não adianta você dizer: ‘Olha, vou ficar 20 anos seqüenciando para talvez chegar a um resultado’. A gente tenta dourar um pouquinho a pílula. Mas sabemos que as limitações são enormes e temos um longo caminho pela frente

- Mayana Zatz, em 2006. 

Realidade e expectativas na mídia sobre a translação de terapias com células-tronco

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por Alexey Bersenev, Cell Trials

7 de dezembro de 2012

É desnecessário lembrar o quanto o tema das células-tronco é alvo de promoção exagerada na mídia hoje em dia. Apenas ligue a TV, ouça o rádio, leia o jornal local ou consulte a internet _ as células-tronco estão em toda parte! A opinião e percepção públicas sobre a pesquisa com células-tronco é baseada quase inteiramente nos relatos da mídia. Mas quão próxima ou distante é esta percepção da realidade? Muitos profissionais podem especular que este abismo entre o real e o  desejado é grande. Mas temos dados sobre isto?

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(Fonte: geneticsandsociety.org)

Convenção da Biodiversidade: Biologia sintética na mesa de negociações

A 11ª Conferência das Partes para a Convenção da Biodiversidade que acontecerá entre os dias 8 e 19 de outubro, na Índia, já conta com um tema explosivo, que deve ser discutido pelos representantes dos diversos governos. Trata-se da possibilidade de colocar, sob a supervisão da Convenção da Biodiversidade, uma atividade industrial emergente: a biologia sintética. 

A biologia sintética é um campo tecnológico emergente, responsável pela construção de sistemas genéticos artificiais e pela programação de novas formas de vida para uso industrial.

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Estudo sobre transgênicos e câncer em ratos repercute…na imprensa internacional

E eis que a revista norte-americana progressista Mother Jones repercute, em grande estilo, os resultados do maior estudo já publicado sobre toxicidade de transgênicos. E faz bonito. Ouve o famoso ‘outro lado’, tão venerado pelos jornalistas. Neste caso, cientistas alinhados com a indústria dos transgênicos. De quebra, entrevista o principal autor do estudo sobre as críticas feitas por seus adversários. Vale conferir. 

A verdade? Você quer saber a verdade? Relaxe! Esta você vai ter dificuldade em conhecer. Há muito dinheiro envolvido. 

Leia mais: 

Does GMO Corn Really Cause Tumors in Rats? (Mother Jones)

Ratos e homens: Mídia, tendenciosidade e promessas terapêuticas

Como já é do conhecimento dos leigos informados, acaba de ser publicado o maior estudo científico já feito a comprovar os impactos dos transgênicos na saúde. Já foi objeto de outro post nosso por aqui. 

Foi publicado numa revista bastante séria, o que não foi suficiente para que a mídia brasileira desse destaque ao assunto  (salvo raras exceções que confirmam a regra), bastante preocupante em termos de saúde pública. 

No entanto, o que mais me chamou a atenção foram os títulos dados por alguns sítios e veículos nacionais à matéria em questão. Neles, os ratos são mencionados em destaque.

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Divulgado estudo mais longo e sério sobre transgênicos: resultados alarmantes



Pela primeira vez na história foi realizado um estudo completo e de longo prazo para avaliar o efeito que um transgênico e um agrotóxico podem provocar sobre a saúde pública. Os resultados são alarmantes.

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Pesquisadores criticam sequenciamento preventivo do genoma

O portal do Estadão traz uma interessante matéria, veiculada ontem e assinada por Herton Escobar, criticando o overhype acerca das promessas terapêuticas relacionadas ao sequenciamento preventivo do genoma, mostrando que isto “pode ser um desperdício de dinheiro ou até criar mais problemas que soluções”. 

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